Eis parte de um e-mail recebido há pouco, e as fotos que o acompanhavam:
Durante este tempo que tenho permanecido no Afeganistão, de volta e meia oiço à esquerda e à direita as pessoas falarem sobre o tema da Burqa.
Sem querer de todo entrar numa discussão política sobre esta peça de vestuário que tem sido tão intimamente (e negativamente) associada ao Afeganistão, apercebi-me de um conjunto de opiniões interessantes que gostava de partilhar convosco.
A moda feminina no Afeganistão não começa e acaba na Burqa.
Na realidade, tenho visto uma variedade de peças de vestuário e calçado bem variado, com desenhos bem sensuais e por vezes até bastante arrojados!
Aparentemente o uso da Burqa já eram comum em diversas sociedades tribais no Afeganistão antes da chegada do Islão.

A Burqa confere à mulher “comum” Afegã uma forma de mobilidade com segurança, que doutra forma (como noutras sociedades) estaria mais vulnerável a um conjunto de potenciais incidentes que também são comuns no nosso próprio país.
Depois há ainda a influência das sucessivas guerras, onde milhares de pessoas se concentram em campos de deslocados/ refugiados, com muito pouco espaço e privacidade, em que a mulher (do ponto de vista prático) tem de lidar com riscos acrescidos no que toca à sua integridade.
Segundo me apercebi, foi também no contexto da guerra civil que alguns grupos considerados mais radicais proclamaram o uso obrigatório da Burqa em determinadas circunstâncias.
Não quero contudo querer transparecer que a vida da mulher Afegã é um “mar de rosas”, antes pelo contrário! …pois os códigos sociais vigentes em vários aspectos são severos para as mulheres, além de que a vida aqui é muito dura e há necessidade de praticamente tudo! Mas mesmo com a informação reduzida que disponho, parece-me que a mulher “comum” está mais preocupada com outras questões, tais como a segurança alimentar, saúde, educação e o acesso ao mercado de trabalho, do que propriamente com uma indumentária que lhe confere, como já foi referido, anonimato, mobilidade e segurança.