segunda-feira, 25 de maio de 2009

Turismo em Cabul!

Passo a transcrever um e-mail bastante descritivo recebido ontem:

Junto envio algumas fotografias feitas esta tarde, imaginem só… com o telemóvel.

A primeira foi feita no mercado dos pássaros, que fica numa parte antiga da cidade. Na realidade é uma rua que fica dentro de um mercado (Ka Faroshi) onde se vende todo o tipo de coisas: desde géneros alimentícios (confeccionados, não confeccionados e vivos!), tecidos, ferramentas, roupas, detergentes, relógios e outras bugigangas. Na realidade também comprei lá o meu colete, que aparece no meu auto retrato (post anterior). Apesar de haver pássaros de todas as cores (incluindo violeta claro! – os ornitólogos que me perdoem pela forma simplista como me exprimo…) a grande estrela é uma espécie de perdiz lutadora com o bico vermelho (perdoem-me outra vez…). Aparentemente, os donos têm tanta estima pelas suas “perdizes lutadoras” que nas lutas não as deixam na realidade magoarem-se. Assim que uma perdiz se demonstra mais agressiva que outra, acaba logo a luta. Hoje, porque já era tarde, perdi as lutas, mas na próxima sexta (o dia off Muçulmano) lá estarei caidinho!

Nesta zona da cidade nunca vi qualquer estrangeiro. Aliás, em Cabul raramente se vêm estrangeiros a pé. Ou se existem, também estão vestidos com roupas Afegãs! …e como uma boa parte da população tem um aspecto muito Europeu (cabelos, olhos e pele claros), se nos vestirmos com as suas roupas e não abrirmos a boca, também passamos por Afegãos! Muito conveniente se quisermos tranquilamente misturar-nos com a população.

Quando abro a boca, muitas vezes perguntam-me se sou Americano. Quando descobrem que sou Português, frequentemente mencionam logo o Figo ou Cristiano Ronaldo, que são claramente no momento os embaixadores Portugueses à escala planetária…

Como acontecia em tempos e noutras viagens, o Mário Soares já foi claramente deposto neste papel importante!

A segunda, é uma fotografia do meu almoço que foi mais lanche/ jantar (porque já eram 17H30). O prato era composto por frango frito com batatas fritas e salada (aposto que a minha irmã já se está a “passar” – e talvez com razão – a ler estas palavras… a hepatite e outras coisas que tais…) , tudo polvilhado com um pó vermelho que não percebi se era piri-piri ou simplesmente paprika. Depois da minha estadia no Sri Lanka, tudo o que é suavemente picante já não consigo sentir... Um dos copos era de sumo de laranja e outro uma espécie de batido de manga adornado com amêndoas e pistáchios. Tudo uma verdadeira delícia que entretanto já passaram o teste gástrico das 3 a 5 horas com distinção!

O Senhor em frente está a comer um gelado (que são mais ou menos) e a televisão estava a passar um daqueles concursos de cantores jovens num canal indiano em altos berros que competia com a música lá de fora que oscilava entre o pop indiano e o pop persa.

A terceira fotografia, é uma situação de rua que creio que não necessita de grandes comentários, a não ser o facto de se revelar talvez totalmente incompreensível para quem não aprecia este tipo de turismo.

No geral, o potencial para a fotografia é elevadíssimo, mas é algo que vou ter de refrear (fotografar com o telemóvel discretamente não conta). Um ou outro jornalista (sempre vestidos de Afegãos) disse-me que fotografa mais ou menos à vontade, mas que evita sempre apontar a objectiva para as mulheres (um tópico sempre muito sensível por estas bandas) conjuntamente outro tipo de situações que vou mencionar mais adiante. De qualquer maneira todos eles no geral falam um bocadinho da língua dominante em Cabul, o que obviamente ajuda a criar empatia e ao mesmo tempo a ultrapassar alguma possível animosidade.

Obviamente que outro protagonista (fotográfico) proibido é tudo o que tem a ver com as forças de segurança (soldados, polícias, veículos ou instalações – Afegãs ou internacionais).

Sendo assim, dado que pelo menos metade da população é feminina, conjuntamente com o facto que (como podem imaginar) a presença de forças armadas é elevadíssima, limita enormemente a possibilidade de fotografar. Ainda assim, acreditem que existem mil situações interessantes de registar fotograficamente onde os mencionados protagonistas não estão envolvidos!

Em jeito de conclusão, creio que me resta – pelo menos por enquanto – “apenas” registar com os olhos… o que em boa verdade, já não é nada mau!

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